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ICNF e ONGs de conservação da biodiversidade articulam cooperação para proteção do abutre-preto no Centro do país

No âmbito do projeto LIFE Aegypius Return, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e várias associações de defesa do ambiente reuniram-se em Castelo Branco para articular os próximos passos na proteção das colónias reprodutoras de abutre-preto (Aegypius monachus) na Serra da Malcata e no Tejo Internacional. 

Fotografia de grupo ©VCF 
Fotografia de grupo ©VCF 

Colónias de grande importância 

A Direção Regional do Centro do ICNF gere duas áreas protegidas cruciais para a conservação do abutre-preto em Portugal: a Reserva Natural da Serra da Malcata e o Parque Natural do Tejo Internacional

A Serra da Malcata alberga uma colónia reprodutora confirmada em 2021 pela Rewilding Portugal, que desde então tem continuado a sua monitorização, dando um contributo essencial ao ICNF e ao projeto LIFE Aegypius Return. Em 2024, esta colónia registou 18 casais nidificantes e produziu 12 crias voadoras, das 48 a 49 registadas em todo o país. Os resultados deste ano, que serão brevemente divulgados, indicam uma expansão geográfica da colónia. 

 

A colónia do Tejo Internacional é a maior e mais antiga do país. Após a extinção do abutre-preto como reprodutor na década de 1970 em Portugal, a recolonização natural deu-se nesta área protegida em 2010, com o estabelecimento de dois casais reprodutores. Em 2024, a colónia contou 61 a 64 casais nidificantes (15 a 16 dos quais já em território espanhol) e produziu 24 a 25 crias voadoras (4 a 5 em Espanha), praticamente metade das crias registadas em todo o país. Desde a recolonização, o ICNF tem contado com o apoio da Quercus no acompanhamento da colónia. Com a aprovação do projeto LIFE Aegypius Return, e desde a época de reprodução de 2023, a SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) tem assegurado a coordenação da monitorização detalhada de todos os parâmetros reprodutores, com a colaboração do ICNF, Quercus e Junta de Extremadura (Espanha). 

 

 

Trabalho cooperativo 

A conservação do abutre-preto requer cooperação em várias áreas, que incluem, entre outros aspetos: 

- a gestão florestal para prevenir o risco de incêndios,  

- a gestão do habitat de reprodução e alimentação, 

- a vistoria e reparação de ninhos em risco de queda ou colapso,  

- a construção de novas plataformas-ninho,  

- a disponibilização de alimento suplementar, 

- a monitorização das colónias, 

- o combate a ameaças como a perturbação e o crime ambiental

 

A reunião, decorrida no final de outubro nas instalações da Direção Regional do Centro do ICNF, em Castelo Branco, permitiu discutir a abordagem a todos estes aspetos nas colónias da Serra da Malcata e do Tejo Internacional, consolidando a cooperação interinstitucional entre o ICNF e as organizações não governamentais Vulture Conservation Foundation (VCF) – coordenadora do projeto LIFE Aegypius Return, Faia Brava – responsável por várias ações do projeto no Centro e Norte do país, SPEA e Rewilding Portugal. 

Foram ainda abordadas as preocupações das várias entidades em relação ao grande número e concentração de projetos de energia renovável planeados para regiões suscetíveis de impactar o abutre-preto, como as Centrais Fotovoltaicas da Beira ou de Sophia. Sobre estes empreendimentos, o projeto LIFE Aegypius Return tem sistematicamente emitido pareceres e informação técnica como forma de tentar prevenir e mitigar impactos sobre o abutre-preto. 


Reunião técnica em Castelo Branco ©VCF 
Reunião técnica em Castelo Branco ©VCF 
Agradecimentos 

São devidos agradecimentos a todas as pessoas e entidades que colaboram na conservação do abutre-preto, e, neste caso particular, a todos os presentes nesta profícua reunião técnica. 

 



 

 
 
 

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