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Salvar os necrófagos é uma grande vitória em termos de saúde pública


Fonte: Getty Images
Fonte: Getty Images

O que têm em comum o grifo-de-Bengala, o tubarão-tigre e a hiena-malhada? São animais de grande porte que se alimentam, pelo menos em parte, de carniça e as suas populações estão a diminuir.


O declínio dos grandes necrófagos em todo o mundo está a afetar ecossistemas e comunidades humanas, podendo dar origem a mais doenças e morte de pessoas, de acordo com uma nova pesquisa publicada nas Atas da Academia Nacional das Ciências.

As evidências que encontramos são muito claras, refere Rodolfo Dirzo, ecologista da Universidade de Stanford e coautor do novo artigo. Os necrófagos estão em declínio, mas não este não é homogéneo. Principalmente os grandes e especializados.


Esta descoberta veio de uma análise do estado de conservação de 1.376 espécies de vertebrados necrófagos, que vão de musaranhos-pequenos a grandes tubarões-brancos. Comparando essa lista com informações da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), os cientistas descobriram que 36% das espécies têm populações em declínio, particularmente, os maiores. Animais que se alimentam apenas de carniça, como os abutres, também têm uma maior probabilidade de estar em perigo.


O declínio do que os cientistas apelidaram de “necrófagos de topo” tem implicações para a saúde humana de diversas maneiras, nenhuma delas positiva. Para começar, os investigadores descobriram que um aumento na quantidade de pequenos necrófagos, como ratos ou cães selvagens, muitas vezes não consegue substituir o trabalho realizado pelos consumidores de topo. No Quénia, a decomposição de carcaças de gado era quase três vezes mais lenta quando os abutres não estavam presentes. Uma dinâmica semelhante foi observada na Austrália quando os diabos-da-tasmânia não estavam por perto. Na Carolina do Sul, o consumo de carcaças de coelho caiu 90% sem os abutres.

Embora comer carne em decomposição possa parecer pouco apetitoso, é um serviço vital. Os abutres e outros necrófagos decompõem rapidamente cadáveres que poderiam de outro modo poluir cursos d'água, facilitar o desenvolvimento de patógenos e atrair outros tipos de animais portadores de doenças. A perda desses necrófagos de topo pode significar não apenas mais animais em decomposição espalhados por aí, mas também um aumento no número de necrófagos menores, como observado por Dirzo e colegas.

Os abutres da Índia são o símbolo dos benefícios da abundância de grandes necrófagos e ilustram o preço que pagamos pela sua perda. Abutres que antes enchiam os céus em algumas partes do país começaram a morrer misteriosamente a partir de meados da década de 1990. A causa foi atribuída a uma nova classe de analgésicos usada no gado indiano, que era letal para os abutres. Dois economistas analisaram a mortandade de abutres e descobriram que ela coincidiu com um aumento no número de cães selvagens, a venda de vacinas contra a raiva, a poluição da água e mortes humanas. Eles calcularam que o resultado foi um adicional de 104.000 mortes de pessoas por ano, em resultado sobretudo de ataques de cães raivosos.

Mas a Índia não é o único lugar onde o desaparecimento dos abutres pode ser um problema. Na Etiópia, cientistas calcularam que o consumo de carcaças de gado por hienas-malhadas perto de uma cidade evitou cinco casos de antraz ou tuberculose bovina em humanos.


Os autores do novo estudo apontam vários fatores que desempenham os maiores papéis no declínio desses grandes necrófagos. De acordo com a IUCN este resulta sobretudo da caça ilegal, produção pecuária intensiva e perda de habitat. Há esperança de que a consciencialização crescente possa ajudar a reverter a situação de pelo menos alguns das espécies desses animais. Em certas regiões do sul da Ásia Há sinais de que os abutres-de-Bengala estão a recuperar  lentamente, provavelmente graças, em parte, à proibição de alguns analgésicos para o gado e às campanhas de consciencialização pública.


Começamos agora a perceber exatamente como dependemos de cada espécie individualmente, disse Chinmay Sonawane, doutoranda em Stanford e principal autora do novo estudo. Acredito que, à medida que nos tornarmos mais conscientes dessas ligações, ficaremos mais inclinados a proteger estas espécies, porque, em troca, estaremos, em última análise a proteger a nossa saúde.



 
 
 

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