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LIFE Aegypius Return 2025: Um ano de resiliência e grandes momentos para o abutre-preto

O projeto LIFE Aegypius Return continua a avançar com o seu objetivo ambicioso: consolidar e expandir a população de abutre-preto em Portugal e no oeste de Espanha. Após o forte dinamismo e a expansão registados em 2024, o ano de 2025 trouxe tanto progressos entusiasmantes como desafios significativos. Incêndios florestais, envenenamento, tiro e tensões em algumas regiões colocaram à prova a capacidade de adaptação do projeto – mas a equipa manteve-se focada. 
Apesar das dificuldades, os esforços conjuntos dos parceiros, das comunidades locais e das autoridades deram frutos. Em 2025, foram implementadas ações-chave que estão a contribuir para tornar Portugal um local mais seguro para esta espécie ameaçada. 


Embora timidamente, a população de abutre-preto continua a crescer 

 


Os resultados da monitorização em 2025 trouxeram boas notícias: a população de abutre-preto em Portugal continua a aumentar. Foram registados entre 119 e 126 casais nidificantes (incluindo alguns em território espanhol), resultando em 56 crias voadoras, um resultado muito positivo e claramente superior aos valores registados antes do início do projeto. 

O desempenho reprodutor mantém-se sólido. A produtividade atingiu 0,45 crias por casal, e o sucesso reprodutor foi de 0,50. Ambos os valores são inferiores aos registados em colónias bem estabelecidas noutras regiões, o que é expectável, dado que muitos destes casais são relativamente recentes e resultam da recolonização de Portugal a partir de Espanha. No geral, a espécie parece estar a estabelecer-se de forma consistente. 

 

Reforçar a população 

 

Abutres-pretos do programa de soft-release em 2025 ©Palombar 

 

Com o objetivo de fortalecer a pequena e frágil colónia do Douro Internacional, foram libertados seis abutres-pretos nessa região, no âmbito do programa de aclimatação e soft-release. No entanto, infelizmente, duas dessas aves já morreram. 

A marcação de abutres com emissores GPS/GSM atingiu também um marco importante. Até ao final de 2025, 58 abutres-pretos estavam equipados com transmissores, incluindo crias, aves reabilitadas, um adulto e um sub-adulto. Estes dados estão a permitir compreender melhor os movimentos da espécie, as áreas de alimentação, os riscos a que está exposta e a sua utilização de regiões transfronteiriças. Um relatório detalhado sobre os movimentos e o impacto das ações de soft-release será divulgado em breve. 

 

Marcação de um abutre-preto com emissor GPS/GSM. ©Paulo Monteiro/SPEA 

 

Cria de abutre-preto no ninho © Álvares Figueira 

 

 

Melhorar as condições ecológicas 

À medida que a população cresce, a disponibilidade alimentar torna-se um fator cada vez mais limitante. Para responder a este desafio, o projeto implementou três áreas de alimentação vedadas, tradicionais, geridas pelos parceiros (duas em Espanha e uma em Portugal), cumprindo a meta estabelecida. Em colaboração com agricultores, objetiva-se criar 66 áreas de alimentação não vedadas (56 em Portugal e 10 em Espanha), que estão atualmente em diferentes fases de avaliação, aprovação e implementação. Estas estruturas são fundamentais em regiões onde a atividade pecuária está a diminuir e as fontes naturais de alimento são cada vez mais escassas. 

A gestão de plataformas-ninho progrediu em todas as colónias. Pouco mais de metade das plataformas artificiais previstas já foram construídas, e a manutenção dos ninhos existentes encontra-se também aproximadamente a meio do objetivo. Estas estruturas artificiais proporcionam melhores condições de nidificação e aumentam o sucesso reprodutor, sobretudo em áreas onde as árvores naturais apresentam risco de queda. A recuperação das plataformas artificiais afetadas pelo incêndio no Douro foi igualmente essencial. 

 

Enfrentar as ameaças 

Nem todas as notícias de 2025 foram positivas. O envenenamento continua a ser uma ameaça grave. No total, foram analisadas dez carcaças de abutres em Espanha para melhorar os procedimentos de diagnóstico e resposta rápida, tendo sido confirmado um caso na área do projeto. Ainda assim, na GNR foram criados três novos binómios cinotécnicos para deteção de venenos, e teve início um novo estudo de referência em colaboração com o projeto LIFE WildLIFE Crime Academy. 

Infelizmente, três abutres foram abatidos a tiro, um lembrete de que a perseguição ilegal continua a ser uma realidade. Estes incidentes reforçam a necessidade de manter o diálogo com as comunidades cinegéticas e de fortalecer a vigilância e fiscalização. 

 

Raio-X do Pousio, o abutre-preto juvenil alvejado perto da Vidigueira 

 

Os incêndios florestais causaram também impactos significativos na região do Douro. Um grande incêndio afetou seis ninhos, e pelo menos duas crias morreram – podendo o número real ser superior. As ações de recuperação iniciaram-se rapidamente, e o restauro do habitat afetado continuará a ser uma prioridade em 2026. 

 

Acer, a cria de abutre-preto que morreu no seguimento dos incêndios no Douro Internacional, em agosto 2025 ©Palombar 

 

Trabalhar com as pessoas 

A coexistência é fundamental para o sucesso a longo prazo. O parceiro Palombar está a desenvolver um estudo sobre a relação entre agricultores e abutres, com o objetivo de compreender melhor as preocupações existentes e melhorar as estratégias de comunicação e envolvimento. 

A expansão das energias renováveis representa outro risco, particularmente para aves planadoras de grande porte como os abutres. Em resposta, o projeto emitiu mais de 40 pareceres técnicos e realizou várias reuniões com promotores e entidades públicas, assegurando que os novos empreendimentos são planeados tendo em conta a segurança das aves. 

 

Sensibilização e comunicação 

O LIFE Aegypius Return teve uma forte presença mediática em 2025, com cobertura a nível nacional e progressos significativos na produção de um documentário dedicado ao projeto. Paralelamente, foram reforçadas as ações junto de proprietários rurais, caçadores e decisores locais, promovendo parcerias mais sólidas e relações de confiança. A cooperação com a WildLIFE Crime Academy foi aprofundada, e uma nova iniciativa colaborativa, NECROBIOME, recebeu aprovação oficial. 

 

O que esperar a seguir 

A fase final do projeto terá início em 2026 e será particularmente intensa. Estão previstos relatórios de grande relevância, incluindo o aguardado relatório sobre movimentos dos abutres e ações de soft-release, cuja conclusão está prevista para breve. 

Entretanto, as campanhas anuais de marcação e amostragem continuarão em julho. 

As ações previstas para 2026 incluem: 

  • Formação de caçadores para o uso de munições sem chumbo 

  • Intervenções florestais e restauro de habitat 

  • Aprovação de áreas não vedadas para alimentação 

  • Construção e reparação de plataformas de nidificação 

  • Promoção energias renováveis seguras 

  • Campanhas de comunicação e educação ambiental 

  • Continuação da capacitação e resposta a crimes contra a fauna selvagem com a WildLIFE Crime Academy 

  • Reforço das atividades no âmbito da iniciativa NECROBIOME 

Os progressos alcançados em 2025 demonstram como a espécie evoluiu. Apesar das ameaças, o abutre-preto continua o seu regresso a Portugal. Este sucesso só é possível graças a um esforço coletivo: conservacionistas, proprietários rurais, comunidades locais, investigadores, entidades governamentais e a União Europeia, todos a trabalhar em conjunto para um objetivo comum. 



 
 
 

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