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Grifo-de-Rüppell encontrado morto no Alentejo

Atualizado: 28 de jul. de 2025

A ave, de uma espécie africana relativamente rara em Portugal, tinha atravessado o Estreito de Gibraltar a 12 de junho.


O Grifo-de-Rüppell encontrado morto no Alentejo. ©GNR
O Grifo-de-Rüppell encontrado morto no Alentejo. ©GNR

Um Grifo-de-Rüppell (Gyps rueppelli) foi recentemente encontrado morto perto de Beja. As circunstâncias estão ainda a ser investigadas. A ave estava a ser monitorizada pelo GREFA (Grupo de Rehabilitación de la Fauna Autóctona y su Hábitat, da região de Madrid, Espanha), no âmbito de projetos de conservação em curso, e a sua morte desencadeou uma resposta internacional coordenada.


O INCIDENTE


O alerta foi dado na tarde do dia 2 de julho pelos técnicos do GREFA: o emissor GPS/GSM colocado a um Grifo-de-Rüppell indicava que o abutre poderia estar morto ou que o emissor tinha caído. A última localização registada era perto de Beja, o que levou a equipa espanhola a contactar o projeto LIFE Aegypius Return para obter ajuda.


A GNR (Guarda Nacional Republicana), parceira do LIFE Aegypius Return, foi imediatamente informada e o Núcleo de Proteção Ambiental (NPA) de Beja prontamente organizou buscas no terreno, na esperança de recuperar apenas um emissor perdido. Esperando o melhor, mas preparando-se para o pior, o Grupo de Intervenção Cinotécnico (GIC) para deteção de venenos foi também mobilizado.


Na manhã do dia seguinte, 3 de julho, uma patrulha do NPA de Beja localizou o abutre que, infelizmente, estava morto. O cadáver foi recolhido seguindo o Protocolo Antídoto – o procedimento formal que garante a recolha e o processamento adequados das provas em casos de suspeita de envenenamento. Foi transportado para o Hospital Veterinário da Universidade de Évora, instituição de referência para realização de necrópsias e análises forenses na região. As patrulhas caninas do GIC/GNR perscrutaram a área onde o abutre foi encontrado e todos os locais que a ave tinha visitado nos dias anteriores. Durante as buscas foram encontrados dois gaios (Garrulus glandarius) mortos, o que aumentou as suspeitas de se tratar de um caso de envenenamento. Estas aves serão analisadas juntamente com o abutre para se investigar a causa da morte.


Recolha e processamento de provas seguindo o Protocolo Antídoto. ©GNR
Recolha e processamento de provas seguindo o Protocolo Antídoto. ©GNR


VIAGEM INTERROMPIDA


O Grifo-de-Rüppell foi marcado por Rachid El Khamlichi, do Jbel Moussa Raptor Rehabilitation Centre, em cooperação com o GREFA, no norte de Marrocos a 2 de maio de 2025. A 12 de junho atravessou o Estreito de Gibraltar, em direção à Europa. Voando para norte passou pela Andaluzia e chegou perto de Mérida, na Estremadura (Espanha), onde permaneceu durante cerca de uma semana.


No dia 28 de junho entrou em Portugal, sobrevoando Serpa e Beja. Os dados do emissor GPS/GSM evidenciavam um comportamento normal. No entanto, no dia 29 de junho começou a mostrar padrões de movimento invulgares – voando distâncias curtas e mudando de local de repouso num raio de um quilómetro. A ave morreu na manhã de 30 de junho, a apenas 60 metros da árvore onde tinha pernoitado.


A viagem do Grifo-de-Rüppell desde a sua marcação a 2 de maio de 2025.
A viagem do Grifo-de-Rüppell desde a sua marcação a 2 de maio de 2025.

COOPERAÇÃO TRANSFRONTEIRIÇA PARA A CONSERVAÇÃO


O Grifo-de-Rüppell, também conhecido como Abutre-de-Rüppell ou Grifo-Pedrês, é uma espécie de abutre africana. A nível global, está classificada como Criticamente em Perigo, mas vai sendo cada vez mais comum na Europa. Apesar do rápido declínio na sua área de distribuição nativa em África, o número de Grifos-de-Rüppell na Europa está a aumentar, especialmente em Espanha e Portugal. Esta tendência crescente levou a região de Andaluzia a acrescentar a espécie à sua lista de abutres, tornando o grifo-de-Rüppell a quinta espécie de abutres da Europa.


Todos os anos, uma média de 70 jovens Grifos-de-Rüppell seguem os seus parentes próximos, os Grifos-Comuns (Gyps fulvus), na sua migração das zonas de invernada em África para a Europa. Várias aves, como a que morreu recentemente no Alentejo, integram um programa internacional de monitorização da espécie na Europa. O Grupo de Trabalho para o Grifo-de-Rüppell, envolve as entidades Junta de Andaluzia, IUCN-MED, GREFA, Fundación Migres, Association Marocaine pour la Protection des Rapaces, Wildlife-lab Estación Biológica de Doñana, Vulture Conservation Foundation e SEO BirdLife.


A investigação sobre a morte do Grifo-de-Rüppell no distrito de Beja ainda está em curso e será coordenada entre as autoridades portuguesas e espanholas. Este caso prova mais uma vez a importância da colaboração internacional na conservação dos abutres. Os resultados da investigação contribuirão para se compreender melhor as ameaças que esta espécie recém-chegada à Europa enfrenta e como podemos contribuir ativamente para a sua sobrevivência.



O projeto LIFE Aegypius Return é cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia. O seu sucesso depende do envolvimento de todos os stakeholders relevantes, e da colaboração dos parceiros: a Vulture Conservation Foundation (VCF), beneficiário coordenador, e os parceiros locais Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, Herdade da Contenda, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Liga para a Protecção da Natureza, Associação Transumância e Natureza, Fundación Naturaleza y Hombre, Guarda Nacional Republicana e Associação Nacional de Proprietários Rurais Gestão Cinegética e Biodiversidade.

 
 
 

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